quinta-feira, 7 de junho de 2012









HUMANIDADES

Pode tomar o remédio que quiser, 
fazer quantas promessas que fizer, 
ouvir o maior pregador,
 procurar o maior milagreiro, 
consultar o psiquiatra, a vidente, 
a cartomante, o tarólogo. 
De uma coisa você não vai encontrar cura: 

SUA CONDIÇÃO HUMANA! 

Porque sorrir, sofrer, 
chorar, sentir dor,
porque tudo isso é vida pulsando. 

NÃO É DOENÇA QUE SE CURE!


(by José Bressanin-07.06.2012)

quarta-feira, 2 de maio de 2012


PEDRO PEDREIRO, UM BRASILEIRO DE VERDADE!


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1º de Maio - Dia dos Trabalhadores(ou do Trabalho)


Apesar de um pouco atrasado, aqui vai uma homenagem ao Dia dos Trabalhadores.
Trabalhadores como o Pedro Pedreiro. Pedro Pedreiro que já às 5 da manhã espera o ônibus que o leva para corte de cana, o trem que o leva para o trabalho na obra, escalar esqueletos de edifício, capinar o mato da soja que o mata-mato não conseguiu eliminar.

Pedro Pedreiro que antes do sol esquentar, luta contra o fedor deixado nas ruas pelo consumo civilizado que faz mais rico o país e mais sujo o planeta Terra. Pedro Pedreiro que amanhece com febre alta e tem de ir de madrugada para as enormes filas da Saúde Oficial marcar hora, às vezes semanas, ás vezes meses, ás vezes em um tempo do nada. Pedro Pedreiro que pode ser o cortador de cana, gari, motorista, o construtor, o sub-empregado ou mesmo o desempregado, mas que nunca desiste de agir com honestidade. 

Pedro Pedreiro que é mostrado no jornal das 8 como o novo felizardo, favorecido pelo desenvolvimento crescente da construção civil. Pedro Pedreiro que acredita nisso e se afunda no crédito fácil, TV LCD, celular e computador de última geração, automóveis financiados a longo prazo, mas que vê tudo rodar por água abaixo no sentido literal da palavra, na primeira tempestade que desaba sobre sua casa construído em ambiente e formas precárias de vida. 

O mesmo Pedro Pedreiro acredita o aumento do poder aquisitivo apregoado na mídia o que o anima a enfrentar condições sub-humanas de trabalho sem saber que sua parte no na riqueza gerado pela economia do seu país poderia ser muito maior não fossem a ambição dos milionários , regados a falcatruas em concorrências fraudulentas que lhes aumentam os lucros principalmente quando se trata de obras públicas, e programas de salvação de falência de bancos mal administrados.

Pedro que é pedreiro e que muitas vezes se obriga ser qualquer outra coisa, buscando oportunidades num país desconhecido, forçado a migrar pelo fenômeno do desemprego e das crises fabricadas.

Que desemprego? Desemprego resultante de crises econômicas na maioria das vezes distantes do mundo da produção, mas mascaradas no mundo financeiro pelos índices Nasdaq, Bovespa, Bolsas de Londres, Tóquio, Nova Yorque,etc. Verdadeiras falências fabricadas, alheias à sensibilidade de Pedro que pensa que quem manda no mundo tem os mesmos propósitos de honestidade, respeito e compromisso que ele carrega em seu coração. 
Pedro Pedreiro que indiretamente paga impostos que vão engordar os bolsos de cidadãos que não têm outro compromisso a não ser a boa vida, sem o necessário esforço para conseguí-la, regada a bebidas importadas, orgias, comidas extravagantes, roupas Versace, Pierre Cardin(essas para os menos exigentes). 

Pedro Pedreiro que a duras penas, paga o imposto IPVA do carrinho usado, ou mesmo do carro financiado a longo prazo , indiretamente o IPI, o ICMS mas que vê suas pequenas economias se esvaírem num passeio de feriadão prolongado nos pedágios de São Paulo a Santos, ou um passeio mais ousado de São Paulo ao interior. 

Pedro que já não sabe se é pedreiro, e que já se vê obrigado, mesmo estando em dia com suas contribuições tributárias a jogar seu salário na escola particular para os filhos para ter uma hipotética qualidade de educação, sonhando ver o filho um dia numa universidade pública e ser doutro como o patrão na obra em que trabalha.

Pedro Pedreiro que além da contribuição previdenciária oficial se vê obrigado a pagar planos de saúde, fundos de previdência privada porque a capacidade do Estado há muito tempo se limita em arrecadar muito, mas a oferecer pouco aos cidadãos que mantém essa máquina envelhecida e enferrujada funcionando. 

Estado se posta muquirana, sério, competente no controle de custos quando se trata em aprimorar a educação, oferecer melhores condições de trabalho aos funcionários da saúde, mas que está sempre aberto à choradeira dos banqueiros que, mediante endividamento do Estado, favorecidos por juros altíssimos, deslocam cada vez mais a riqueza do país para uma minoria privilegiada que deveria ter vergonha de mostrar ao mundo seu rosto na revista Forbes. 

Autoridades diversas, governadores, presidentes, prefeitos no dia 1ºde Maio têm oportunidade ímpar de se tornar amigos dos trabalhadores, entre eles do Pedro Pedreiro, porque sabe que sem os braços e as mãos calejadas de Pedro, porque sabe que o tempo que Pedro Pedreiro tem para pensar se limita a alguns instantes do Jornal das 8 e a algumas cenas da novela das 8 mostrando um mundo quase sempre de golpes de bandidagem alheios ao dia a dia do Pedro Pedreiro que foi educado para as boas intenções em tudo o que faz. 

Pedro Pedreiro, anônimo trabalhador, muito se falou sobre você nesse primeiro de maio, sobre sua dedicação, sobre sua honestidade. E como eles têm medo que você deixe de lado aquilo que você tem de maior riqueza que é a sua decência. Acredite nisso! 

Pedro Pedreiro, desculpe se repeti tantas vezes o seu nome. Você merece uma homenagem do tamanho da sua decência. Você deve ter ouvido muitos elogios a você nesse primeiro de Maio, mas deve ter ouvido muito mais exacerbações narcísicas, pois afinal estamos em ano político.

Pedro, João, José, Joaquim, Antonio a todos vocês gostaria de dizer: Conscientizem-se, amigos, administrar bem, seja prefeito, governador ou presidente, usar austeridade e coerência estando à frente de um cargo, não é favor não. Antes é uma obrigação de quem se diz ser líder e representante de um povo. 

Por tudo que você passa, por tudo que você sofre, espera e se desespera, você merece muito mais amigo! Muito mais que o empréstimo consignado. Muito mais que o carro pago em 72 parcelas, com isenção de IPI, sem promessas de felicidade plena após a morte, quando desfrutares da Vida Eterna, você merece ser feliz, aqui e agora!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

INTERIORES







INTERIORES


No meu mundo interior habitam infinitas imagens. Belas imagens e imagens terríveis que chegam a dar medo. Na ausência do entendimento do que querem dizer, dou nomes diversos: esperança, fé, alegria, às vezes, felicidade.


Posso dizer que é um mundo desconhecido, porque me obriga a nominar pelo medo de sentir o seu verdadeiro significado.

Mas de uma coisa tenho certeza: é o desconhecido que me mantém vivo, pois se soubesse o real significado dessas imagens, talvez minha razão as sufocasse levando-me a uma vida vegetativa, à uma morte cerebral, com o corpo em movimento.

 Interioridade, fonte da vida.

A cada dia , essas imagens, ás vezes novas, muitas vezes repetindo imagens anteriores, lançam no meu íntimo sentimentos diversos, gerando sonhos, às vezes viáveis, das quais a vida ainda não me ensinou tirar o devido proveito. Talvez mesmo não tenha vivido o suficiente para já possuir essa virtude. Doutras vezes, essas imagens me parecem ali na minha mão, ao meu alcance - me pegue, sou sua! - pedem-me. 

Mas os filtros do real ainda me afirmam: - impossível!  - E perco mais uma chance de ser um pouco mais feliz.

Mas é essa excitação diante do estranho estampado nessas imagens interiores que anima meus projetos de vida. Passo adiante a mensagem que delas emergem e que atinge minha existência física dando-me  conta do que me parece inviável, mas nem por isso é suficiente para manter-me alheio ao mundo dos  meus desejos.  O que parece impossível de enquadramento no tempo e espaço, de repente torna-se plausível pela força da Fé não baseado na experiência do que já foi realizado, mas fortalecido pela Fé na possibilidade da realização do impossível e na gratificação que posso conseguir em desafiar o desconhecido.

No entanto, muitas vezes, as sombras interiores brotam ininterruptamente sem o devido controle, e ao ter de romper resistência de fibras nervosas, fazer jorrar gotas de neurotransmissores, que possam mobilizar músculos que tornem o sonho realidade, deixando de habitar o fantástico para tornar-se existência, o corpo me trai em nome da razão e me deixo paralisar. 

Quando então a claridade da luz se encolhe, vem me fazer frente tudo aquilo que me parece sombra, e já percebendo o vazio existencial, vida sem sentido freada pelo temor de sentir o coração pulsar mais forte, paraliso músculos, freio minhas vontades. Prefiro buscar palavras a tentar viver, e começo a  dar nomes a dor do sonho que não consegue acontecer: depressão, ansiedade, pânico, tédio, melancolia, sei lá. 


Dar nome àquilo que se sente e não se compreende acaba sendo uma maneira cômoda de paralisar a vida e interromper o caminho que se abre todo dia a esse mundo de imagens, mundo que é fonte de vida. Mundo cheio de imagens que por mais que eu queira, por mais que o mundo diga: - não,  isso é loucura!  - nunca desaparecerão, e serão sempre minha razão de viver, elã vital. 

Olha só, interioridade, o mundo que incomoda, e que sem eu o saber, aponta para as verdadeiras razões do meu existir.

A procura, o encontro, a descoberta, o amor, o caminho trilhado, a visão da luz no fim do túnel, as bases do meu agir.  Imagens desconexas, anima e animus, ódio e amor, traição e lealdade, masculino e feminino sustentando uma essência, entrelaçando desejos num só ser: anseios de toques recíprocos, de corpo e de alma. Eros e Tanatos, lutando por mais um minuto de vida, intermediado pela luta de Dionísio e Apolo que traçam a estética do prazer de como e onde estar no mundo. 

Razão irrompendo dando limites ao êxtase de se sentir vivo por instantes, impedindo-me de levar em frente essa ousadia de atingir patamares do impensável. Renúncia ao amor? Medo das convenções ou das decepções marcadas na alma?

Imagens interiores, sonhos, motivos de alegria e tormento. Ao contrário do que imagino, ao contrário do que vivo e vejo na realidade do dia a dia são elas que garantem o essencial para cumprir meus dias de morada neste pequeno grande lar chamado Terra, onde se hospeda o meu corpo e é ponto de partida para a expansão da minha alma, rumo ao desconhecido, mesmo que eu continue negando-me a mim mesmo.

(By José Bressanin-Abril/2012)





quinta-feira, 29 de março de 2012

VELA ABERTA





VELA ABERTA

Vela aberta. Jangada, barco, nau a navegarem mar a dentro. Jangada. 


Nela pisando ao mesmo tempo que deslizando sou apenas recordações 


e esperanças, além das sensações que percorrem um corpo trêmulo 


diante da infinitude. 




A jangada se afasta mais da costa, mar profundo. 


Sensação de de liberdade total. A visão do infinito azul que mergulha 


no reflexo das águas chega a dar medo quando uma ou outra onda


balança a jangada e também o equilíbrio aparente do corpo e mente. 





O desconhecido aumenta ainda mais seu poder de sedução. É como se 


a morte em alto mar já fosse um mero detalhe. Ao longe conforta nos


o pensamento de dois olhos apaixonados mirando-nos a distância na


 esperança de que nossas trajetórias se cruzem a qualquer momento,


numa calmaria, numa tempestade, numa pequena brisa. . . 





De repente o vento muda a direção da vela aberta e o ponto de chegada, 


se existe,  já é outro, da mesma forma que somos obrigados a mudar a direção 


das nossas vidas almejando viver uns anos a mais nesse imenso mar em




que um dia começamos a navegar. No mar que crescemos e fomos 


destinados a navegar. A vela aberta é a referência enquanto mantemos 


a crença de que esse mar é infinito.(By José Bressanin-29.02.2012)

quinta-feira, 1 de março de 2012

É POSSÍVEL SER FELIZ NO SOFRIMENTO?





É POSSÍVEL SER FELIZ MESMO NO SOFRIMENTO?


 Ninguém vive sem sofrimento. No mundo atual, as promessas de felicidade constituem um forte chamariz para todos aqueles que, descontentes consigo mesmo, vêem no mundo externo, a alegria que lhe falta. De fato, a propaganda exerce forte influência na maneira das pessoas enxergarem perante o mundo, á medida que só lhes são apresentados personagens alegres e contentes em lugares semelhante a um jardim do Éden. Paisagens lindas, gente bem vestida, carrões de luxo cuja imagem apresentada supera, na maioria das vezes o concreto que é o carro tal como se encontra na revendedora. 

No mundo da propaganda não existe sofrimento, mas nem por isso deixa de gerar sofrimento tensão. E, muita gente faz desse mundo fantasioso a base para avaliar o seu grau de felicidade. De outras vezes, são as próprias pessoas que num exercício árduo e diário para disfarçar as suas dores e problemas apresentam, uma imagem muito diversa da realidade que vivem interior e exteriormente. Deixam de lado sua realidade de criaturas dotadas de carne, nervos e ossos a para pousar como semideuses que são construídos nos seu imaginário pelas mensagens que o mundo lhes impõe.


Portanto, ser feliz, no mundo de hoje significa deixar de lado o sofrimento que é inerente a todo ser humano. Como afirmei , somos feitos de carne, de nervos, de reações emocionais diante do mundo que nos cerca no qual nos vemos em situações que nem sempre são aquelas que gostaríamos de sentir. Mas a o remédio dos tempos modernos é esse: fazer tudo aquilo que afaste  do nosso mundo a palavra sofrimento. Mas negar as circunstâncias adversas, driblar os obstáculos, depositar uma expectativa perseguindo o modelo imposto pela sociedade, o simulacro da realidade que nos ilude, mundo que nos incita a todo instante em preencher o vazio com a compra de um objeto de consumo "da hora",  sem um mergulho profundo nas suas verdadeiras causas da infelicidade que só tende a perpetuar  nossa infelicidade apesar de até produzir um bem estar passageiro, ilusório.           


Precisamos aceitar que o sofrimento está implícito na nossa condição humana e dele não adiante fugir. A esta altura o leitor deve ter percebido que estou me atendo de forma especial ao sofrimento psicológico, que inclui baixa auto-estima, depressão, sentimento de inferioridade, isolamento social, ou aquela falsa impressão de que somente eu sofro, somente eu tenho dívidas a pagar, sómente eu tenho uma enfermidade grave ou não e que só os outros são felizes. Não vou deixar de lado o sofrimento físico resultante das doenças, mas também procuro me ater à experiência subjetiva que cada um apresenta diante da doença. Como cada um reage diante do motivo do sofrimento que se apresenta em nossa vida, nas suas variadas formas.

Primeiro, se quisermos buscar a paz interior precisamos abandonar o mundo ilusório de que a vida é apenas uma festa, idéia reforçada pela propaganda, pelo consumo. O sonho é necessário, mas precisamos seguir e construir, mais do que nunca os nossos próprios sonhos. 


Segundo, precisamos aceitar o sofrimento como parte da nossa vida. O nosso próprio nascimento resulta de uma seqüência de dores tanto por parte de quem nos gera, como da nossa parte quando deixamos aquele mundinho acolhedor do útero da mamãe e temos que começar a enfrentar uma realidade externa de onde teremos que tirar o nosso sustento, seja físico, emocional, afetivo ou psicológico a partir de enfrentamentos, renúncias ou aceitações. 


Cada sofrimento que temos pela frente ao longo de vida é um novo parto, um novo nascimento, e é assim que tem de ser encarado. Enfrentar cada dificuldade com coragem, encarar a nossa verdade interior nua e crua, sem disfarces, será motivo de crescimento, desenvolve uma capacidade maior de amar, pois à medida que aceitamos o nosso sofrimento também passamos a respeitar o outro não como aquele que ". . .é só alegria" mas também como aquele que também sofre suas dores. 
Também precisamos encontrar um sentido para as nossas dificuldades. Muitas vezes sofremos porque insistimos em oferecer soluções antigas a problemas novos. É a nossa resistência à mudança, é a primitiva vontade de voltar para a barriga da mamãe onde não precisávamos fazer nada para sobreviver. Busquemos,  portanto, soluções novas para novos problemas. 


Vamos quebrar a inércia e romper a resistência a adotar posturas novas diante dos problemas novos que surgem e vão surgir enquanto estivermos vivos. Se você está chegando ao fim deste texto com a consciência de que o sofrimento é inevitável, mas nem por isso, pode ser tomado como algo ruim na nossa vida, se você está concluindo que nenhum sofrimento chega em nossa vida à toa, que bom!. 


O sofrimento aparece para re-significar nossa vida nos ensinando novas formas de estar no mundo.

Você pode estar se assustando em concluir por si mesmo que a felicidade não exclui o sofrimento. Portanto evitar o sofrimento não nos leva  a uma vida mais feliz, disfarçar o sofrimento com paliativos como consumir, beber,  comer, projetar nos outros a causa da nossa infelicidade, comprar, consumir, exibir-se,  não são caminhos que nos direcionam para a felicidade. Agindo assim poderemos estar enganando aos outros, mas não enganaremos a nós mesmos.

Também não quero incentivar uma espécie de culto ao sofrimento que encontra respaldo muitas vezes até numa forma equivocada de interpretar o Cristianismo, como se só através do sofrimento se encontra salvação. É como se dissesse  que para ser feliz é preciso antes sofrer muito. Não, não é disso que estou tratando. 

Talvez você já tenha sofrido muito na sua vida, mas isso não significa que você não possa ser feliz, não significa que você um dia “ foi expulso do paraíso” para sempre.  Saber que o sofrimento nunca acontece por acaso, aponta sempre para um novo significado da nossa vida. 


José Bressanin - Psicólogo - CRP 06/38.629-0

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Gratidão, ah essa gratidão!





Amigos, o que é a gratidão? Diríamos que é um sentimento doce, calmo, que acalenta nossos corações diante de ações realizadas por alguém visando o  nosso bem.


Como nos sentimos diante de pessoas que recebem tudo de alguém, necessitados seja materialmente, seja emocional ou espiritualmente e não agradecem, como se a recompensa fosse apenas um mérito seu. Nos sentimos com a "bola cheia", até melhora a auto estima, principalmente quando tomamos a ajuda dos outros como referencial do quanto somos "importantes" para que outros venham em nosso auxílio. 


Que pobreza de espírito! Como nos  tornamos pobres, orgulhosos, vaidosos! E pobres no sentido amplo da palavra. Pois aquele que recebe ajuda, deveria reconhecer, humildemente o recebido e a pessoa de quem o recebe.


Tenhamos em mente que ninguém tem a obrigação de ser servil a outro. Nenhum princípio de ética recomenda isso. Mas por um sentimento universal de humanismo, temos a obrigação de exercer não a servilidade, mas algo mais nobre que é a caridade. A caridade em todos os sentidos, de coração, não como obrigação, ou visando segundos ganhos futuros. 


Temos situações em que podemos servir nossos irmãos no mundo de hoje, que estão aí e não vemos porque não queremos ver, ou estamos cegos porque se " se tapa muito o sol com a peneira", como diz a linguagem popular. Exemplo: através da atuação na nossa comunidade, pressionando os poderes constituídos a abrigar quem não tem abrigo, alimentar os famintos que chegam à nossa porta, "alugar" nossos ouvidos para aqueles que necessitam, fortalecer a fés nos outros, porque a fé é sinal de saúde não só espiritual, mas também física, não ter medo de caminhar juntos em certos momentos de fraqueza de outros.


O Cristianismo nos ensina que devemos auxiliar sem olhar a quem. É claro, que nesses tempos devamos ter cautela em algumas situações para nossa própria segurança. Mas procuremos tomar como positiva a oportunidade que nos é dada de poder receber um necessitado à nossa porta pedindo algum tipo de ajuda.  


Que não nos sintamos orgulhosos porque fomos procurados, valorizando o nosso ego. Que não predomine aquele sentimento de que se fomos procurados é porque somos "grandes". A ajuda é uma estrada de duas mãos. Á medida que ajudamos, também somos ajudados em crescer na nossa caminhada. E quando formos nós os necessitados, sentiremos na própria pela a dor sentida por aquele que nos procurou e muitas vezes não encontrou ajuda, devidos às nossas desculpas. 


Á medida que ajudamos somos também ajudados a crescer e aprender mais na nossa jornada. E se formos nós quem recebeu algum tipo de atenção do outro irmão, não esqueçamos de agradecê-lo a ele e a Deus, a mais sublime forma de gratidão. 


Nada mais triste do que a ingratidão, para um coração cujo sentido da vida é ajudar.(by José Bressanin-Abril/2012)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

QUÊ  QUI É! TÔ PAGAANO!


Fim de semana. Sábado à noite. Terminava a novela das 8 na Tv Glogo,  que agora virou  novela das nove. Critica-se muito, mas a alta audiência da novela das 8 que virou novela das nove, continua no BBB 12. Muita gente não gosta do que vem em seguida: o Zorra Total.  Quero falar de uma das atrações do Zorra Total, que ficou muito conhecida no programa   foi uma frase proferida pela quase famosa, quase elegante, quase  "gente fina" a  personagem  Lady Keity, que pode ter incomodado muita gente.

 Quê qui é, tô pagaaaaaano!

Tratava-se de uma personagem que por motivos não muito claros,  subiu na vida graças a um casamento financeiramente bem sucedido. De resto só a Lady Keity, poderia dizer alguma coisa a respeito da sua escolha conjugal. 

Mas será mesmo que que ninguém de nós ouviu, no dia a dia,  esta mesma frase proferida  por outras pessoas, seguidoras da linha  Lady Keity  em situações inusitadas. Normalmente a frase vem de alguém que, graças às mudanças econômicas dos últimos tempos, teve a sorte de subir na vida - financeiramente. Infelizmente, não passa pela  maioria dessas pessoas  que a riqueza não é apenas ter dinheiro, mansões, carro importado ou mesmo marido rico. Já dizia um amigo meu que não existe maior forma de pobreza explícita do que aquela ostentada tendo como base somente o  poder financeiro, como dizem os economistas, o poder aquisitivo,  desacompanhado de qualquer classe, educação ou cultura.

Quem nunca viu a moça que trabalha no caixa de supermercado suportar grosserias de uma Madame Lady Keity da vida acompanhada da frase:

- Que qui é? Tô pagaaaano! – e em nome do dinheiro, que torna aquela pessoa interessante não para a vida, mas para o mercado  justifica suas grosserias dirigidas contra a caixa que antes de começar seu trabalho ouve do  patrão: -Aconteça o que acontecer, o cliente tem sempre razão.

Já fui diretor social de clube. Lembro-me de tantas vezes ter visto desperdícios de alimentos, bebidas na mesa de pessoas que tinham segundo o dito popular  “o olho maior que a boca”. Lotavam pratos e copos até não mais caber, comportamento consumista desprovido de qualquer lógica alimentar ou celebrativa. Terminada a refeição deixavam nos pratos grandes porções de alimentos. Se alguém sinalizava a essa pessoa os seus exageros,  essas pessoas  apenas respondiam:

- Que qui é? Tô pagaaano!

Quem nunca presenciou patrões em desrespeito aberto ao seu empregado, extrapolando as regras não só de relação profissional, mas de relações humanas e cristãs, sob o argumento de que ele é importante porque é o empresário, porque "dá emprego",  humilha, desrespeita, infringe leis trabalhistas simplesmente baseado no princípio do:

- Que qui é? Tô pagaaaano!

Um dia, uma criança me contou que viu uma senhora desperdiçando água com a mangueira aberta jorrando litros e litros do precioso e cada vez mais raro líquido  sobre a calçada que descia rua abaixo. Aquela água que jorrava rua abaixo sem nenhuma utilidade deixava de ser rio, riqueza natural para se tornar simplesmente, esgoto. O esgoto, já teve muitas funções ao longo dos tempos, mas, nos dias de hoje,  sua principal função, creio, eu  é fechar a última etapa do ciclo urbano de toda forma de desperdício. A criança então, seguindo as orientações que havia recebido na escola sobre a necessidade de se evitar o desperdício de água, foi ter com aquela senhora.  Disse-me a criança que a resposta que estava na ponta da língua, grande discípula de Lady Keiti, não tardou a responder:  

- Que qui é? Tô pagaaano! Posso pagar, gasto quanto quero. . .

Já vi uma vez uma pessoa detentora de um patrimônio financeiro  que podia classificá-la como milionária, pressionar uma autoridade religiosa a desfazer sua agenda de trabalho em pleno dia de Natal, para realizar em caráter particular e privado a cerimônia de casamento da filha mediante o simples mas, ridículo argumento do:

- Que qui é? Tô pagaaano!

Mal da globalização dizia um estudante de ciências sociais, amigo meu. Segundo esse  amigo,  um dos efeitos perversos  da globalização é esse. Com o avanço no setor de serviços, abriu-se grandes  possibilidades de ascensão social pelo predomínio do saber técnico em determinadas atividades, ou por falta de mão de obra qualificada para novos serviços que surgiram com a avalanche de quinquilharias jogadas no mercado de consumo, sem as quais a humanidade sobreviveu por milhares de anos, e sem elas, não é agora que iria  sucumbir.

Num passado não muito distante podia-se ascender socialmente por exemplo, estudar com vistas a ser um professor, um advogado, um padre, um pastor, um médico, um engenheiro. Tais funções não exigiam apenas o conhecimento técnico, intelectual, não apenas se valorizavam pelas melhores remunerações no mercado de trabalho. Para se ter sucesso nessas atividades dentro do contexto social, exigia-se antes de tudo , ter noção de bom relacionamento humano, de ética, de convívio social, não bastava ter o dinheiro, precisava acima de tudo ter humanidade e no popular, "ser educado".

A sociedade consumista, que valoriza acima de tudo o poder de compra criou essa figura que pouco está preocupada com as boas amizades, sobre como comportar-se socialmente. Recentemente, um colunista da Revista Veja(J.R.Guzzo em Veja, ed.2254, 1º/02/2012, pg.106), alertava citando Scott Fitzgerald: "Os ricos são seres humanos diferentes de você, e, provávelmente de todas as pessoas que você conhece mais de perto. . .", ". . .para ser rico de verdade é fundamental ter dinheiro, claro, mas não é suficiente. . ." E continua: não confundir quem é rico com quem tem apenas dinheiro, o que não é a mesma coisa, para concluiir ao final de sua coluna: ". . . desconfie dos que parecem ter muitas coisas em comum com você próprio. Difícilmente serão o artigo legítimo". Ao que acrescento: Se você convive com "ricos", e se por algum momento você tem a ilusão de que ele é igual a você, ou seja de que ricos são pessoas iguais a todo mundo, esqueça. Na primeira oportunidade ele vai se apoderar da sua condição de rico e impor sua condição, com educação ou não, com gentileza ou não. Pouco lhe interessa a cultura, a arte, a religião, a fé. Basta-lhe o dinheiro bolso, para se sentir grande e melhor que você que está com um monte de contas vencidas, dando duro para pagá-las, trabalhando não menos que ele. 

E  o dinheiro no bolso que poderia aprimorar novos costumes nos novos afortunados, nos novos ricos, poderia ajudá-los a crescer como pessoas: por exemplo nas viagens que realizam, poderiam ser menos ostensivos no ato de consumir, e mais abertos para ampliar a sua cultura pessoal a respeito do que é o mundo, da beleza que é conhecer novos povos, novos  costumes. Mas, não, com dinheiro no bolso, em país alheio, mantêm o nariz empinado, impondo a cultura do "Tô pagaaano!". 

Toda  sorte de respeito humano adquirida em séculos de desenvolvimento da civilização humana perde sentido diante do poder do dinheiro nos nossos dias  para justificar grosserias, maus gostos, breguices seja no vestuário, no relacionamento, no modo de se divertir. 

Apesar da personagem Lady Keity não fazer mais parte do sábado à noite dos brasileiros, com certeza ela ficará nas nossas mentes. A qualquer instante poderemos encontrá-la no dia a dia, dirigindo mal educadamente nas ruas, invadindo vagas de estacionamento destinadas a idosos  gestantes e deficientes, furando filas nas padarias, lanchonetes e supermercados ou se postando farisaicamente de nariz empinado nos bancos das Igrejas. E o lema, desaconselhável para as  pessoas elegantes, ricas ou não,  se eterniza:

- Quê qui  é? Tô pagaaano!                        (By José Bressanin-Abril/2012)